Sábado, Fevereiro 24, 2007
"Eu amei por alguns dias, fiquei por alguns dias na vida dele. Durante todo esse tempo, muitas vezes, eu desejei que todos os dias da minha vida fossem assim. Um dia, eu disse, como quem diz que o leite da geladeira acaba, acabou. E fui embora. Eu que sempre olhei torto para os apaixonados, eu que nunca acreditei na dor do amor e achava tudo um exagero, sofri. Acho que como nunca na vida, até hoje. A dor chega a ser física, acredite. Por alguns dias eu fui feliz. A vida trouxe novos acontecimentos, a solidão não era tão só, era partilhada. Deixei de acreditar que viveria melhor sozinha e comecei a acreditar no amor. Ah, e não existe coisa melhor que sentir-se amada, não existe. Às vezes me pergunto por que diabos eu fui embora? Simples, eu sou egoísta. Amar exige companheirismo, confiança e satisfação. Sim, minha amiga, satisfação. Namorados são invasores. No começo, o amor basta, depois, vem o bônus, que inclui as satisfações, as preocupações, discussões, etc. E eu gosto de viver a minha vida, ter liberdade de ir e vir, dou razão às minhas vontades, seja lá quais forem. E não, um relacionamento aberto também não seria a solução, sou egoísta demais para isso. Eu não presto, talvez. Mas não sou promiscua, eu juro. A questão é: o amor acaba? Incrível que quando relacionamentos acabam, um tempo depois, as pessoas dizem que foi melhor assim. Não, querida.. não foi melhor assim. Você se trancou no quarto, chorou rios de lágrimas, desejou sumir, sentiu raiva de si, do mundo, e agora porque o tempo passou vem dizer que foi melhor assim? Você desejou passar a vida ao lado dele e agora porque se recuperou vem dizer que foi melhor assim? Ok, é passado. Mas não faça pouco caso, não contrarie o que seu coração já desejou um dia. O tempo cura, isso é fato. E se não cura, esconde. Esconde tão bem que paralembrar do falecido você é obrigada a procurar em cantos inativos do seu cérebro. E olhe, existem maravilhas em estar solteira, acredite. Achei que não conseguiria viver sem aqueles trezentos e sessenta e cinco dias pro resto da minha vida, mas eu fui embora, porque gosto de correr risco e smepre me fodo por isso. A dor e a saudade ainda não se foram, mas eu estou aqui, tão viva. De uma maneira que eu não achei que estaria. Porque, na verdade, eu não preciso daqueles dias para ser feliz, porque nada do que me cause tanta necessidade pode me fazer tão bem assim, porque a vida é minha, e eu tenho direito de escolher meus caminhos, e ter vivido trezentos e sessenta e cinco dias diferentes, não me tirou a vontade e a esperança de viver dias melhores. Eu tenho a minha espera o gato mais lindo desse mundo, amigos, cerveja gelada e cigarros, o que mais eu posso querer? Brindemos, solteiros, brindemos. E sejamos, primeiramente, felizes por nós mesmos."
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